Butão, o país mais feliz do mundo? O que é a Felicidade Interna Bruta e como ela é vivida

Conheça o Butão, um dos países mais intocados e difíceis de visitar do mundo. Especialistas há mais de 12 anos, ajudamos você a planejar sua viagem com toda a documentação necessária. Descubra as lendas, paisagens e a felicidade deste destino único.

Resposta rápida: o Butão ficou conhecido como “o país mais feliz do mundo” por causa da Felicidade Interna Bruta (FIB), uma política de governo que coloca o bem-estar da população acima do crescimento econômico. Isso não significa que o país lidere os rankings de felicidade: no Relatório Mundial da Felicidade de 2019, o Butão ficou em 95º lugar entre 156 países. A diferença está no que se mede. O índice do próprio Butão avalia nove dimensões da vida, como saúde, tempo livre, cultura, meio ambiente e comunidade.

Quando conto que vou ao Butão, a reação é quase sempre a mesma: “aquele país onde todo mundo é feliz?”. A fama é bonita, mas um pouco enganosa. O Butão não é um lugar sem problemas, e os butaneses não passam o dia sorrindo. O que o país tem de único é outra coisa: ele decidiu, como política de Estado, que a felicidade da população importa mais do que o crescimento da economia.

Neste texto eu explico o que é a Felicidade Interna Bruta, de onde ela veio, como é medida, o que os rankings internacionais dizem e, principalmente, como o viajante percebe essa filosofia no dia a dia. Para planejar a viagem em si, veja o nosso guia completo do Butão.

O que é a Felicidade Interna Bruta

A Felicidade Interna Bruta é a forma como o Butão mede o progresso. A maioria dos países olha para o Produto Interno Bruto, o PIB, que soma tudo o que a economia produz. O Butão olha para o bem-estar das pessoas.

A ideia é atribuída ao quarto rei, Jigme Singye Wangchuck. Nos anos 1970, ele declarou que a Felicidade Interna Bruta era mais importante do que o Produto Interno Bruto. O que começou como uma frase virou política: a Constituição de 2008 pede que o Estado promova as condições para a busca da FIB, e os projetos de governo são avaliados também pelo efeito que têm sobre o bem-estar da população.

A FIB se apoia em quatro pilares:

  • Desenvolvimento sustentável e justo
  • Preservação da cultura
  • Conservação do meio ambiente
  • Boa governança

Como a felicidade é medida no Butão

O Butão faz pesquisas nacionais periódicas, com entrevistas em todo o país. O Índice de FIB usa 33 indicadores, agrupados em nove dimensões:

DimensãoO que avalia
Bem-estar psicológicoSatisfação com a vida, emoções, espiritualidade
SaúdeSaúde física e mental
EducaçãoEscolaridade, conhecimento, valores
Uso do tempoEquilíbrio entre trabalho, descanso e sono
Diversidade e resiliência culturalLíngua, artes, tradições
Boa governançaConfiança nas instituições, serviços públicos
Vitalidade comunitáriaLaços familiares, vizinhança, voluntariado
Diversidade ecológicaRelação com a natureza e o meio ambiente
Padrão de vidaRenda, moradia, bens

Na pesquisa de 2022, o índice chegou a 0,781, numa escala de 0 a 1, acima de 2010 e de 2015. Pouco menos da metade da população foi classificada como profundamente ou amplamente feliz. Ou seja, nem o próprio Butão diz que todos são felizes. O que ele faz é medir, com honestidade, onde o bem-estar está avançando e onde não está.

Então o Butão é o país mais feliz do mundo?

Depende de como se mede. No Relatório Mundial da Felicidade, publicado anualmente com apoio da ONU, os primeiros lugares costumam ficar com os países nórdicos, e o Butão ficou em 95º em 2019. Esse relatório se baseia principalmente na nota que as pessoas dão à própria vida e leva muito em conta a renda, a expectativa de vida e o apoio social. Num país de renda mais baixa, isso pesa.

A FIB pergunta outras coisas: quanto tempo você tem para a família, se você participa da comunidade, se a cultura e a natureza ao seu redor estão sendo preservadas. São visões diferentes, e as duas são válidas.

A conclusão mais honesta é esta: o Butão não é o país mais feliz do mundo em todos os rankings, mas é o país que levou mais a sério a ideia de governar pela felicidade. E isso se sente quando se está lá.

Como o viajante sente a FIB no Butão

É aqui que a teoria vira experiência. Algumas coisas que todo viajante percebe:

  • A natureza protegida: a Constituição exige que pelo menos 60% do país continue coberto de florestas, e o Butão é um dos raros países que absorvem mais carbono do que emitem. As estradas atravessam vales e montanhas quase intocados.
  • O turismo controlado: o país escolheu receber menos turistas e cobrar uma taxa diária de desenvolvimento sustentável, que financia saúde e educação gratuitas e a preservação do meio ambiente. Os detalhes estão no nosso guia do Butão.
  • A cultura viva: nas repartições, nas escolas e nos dzongs, os butaneses usam as roupas tradicionais, o gho e a kira. Os prédios seguem a arquitetura tradicional, e Thimphu é uma capital sem semáforos.
  • O tempo: a vida tem outro ritmo. Os festivais tsechu, com as danças de máscaras, reúnem famílias inteiras por dias.
  • A espiritualidade no cotidiano: bandeiras de oração nos passes de montanha, rodas de oração movidas a água nos riachos, monges e leigos girando ao redor dos chortens.

Para muitos dos nossos viajantes, a pergunta que fica não é “os butaneses são felizes?”, mas “o que eu estou medindo na minha própria vida?”.

As lendas que ajudam a entender o Butão

A visão de mundo butanesa vem do budismo e das histórias que todo mundo conhece desde criança. A mais famosa é a de Guru Rinpoche, que teria chegado ao vale de Paro voando nas costas de uma tigresa e meditado na caverna onde hoje está o Taktsang, o Ninho do Tigre. Outra é a de Drukpa Kunley, o “louco divino”, que ensinava o budismo pelo humor e pela provocação. Até as montanhas são sagradas: por respeito aos deuses que vivem nos picos, é proibido escalar acima de 6.000 metros.

Perguntas frequentes

Por que o Butão é chamado de país mais feliz do mundo?

Por causa da Felicidade Interna Bruta, a política que coloca o bem-estar da população acima do crescimento econômico. O nome pegou, mas o Butão não lidera os rankings internacionais de felicidade.

O que é a Felicidade Interna Bruta?

É a forma como o Butão mede o progresso do país. Em vez de olhar só para o PIB, o governo avalia nove dimensões da vida, como saúde, educação, uso do tempo, cultura, meio ambiente e comunidade.

Quem criou a Felicidade Interna Bruta?

A ideia é atribuída ao quarto rei do Butão, Jigme Singye Wangchuck, nos anos 1970. Desde 2008, ela está prevista na Constituição do país.

Qual a posição do Butão no ranking mundial da felicidade?

No Relatório Mundial da Felicidade de 2019, o Butão ficou em 95º lugar entre 156 países. Os métodos são diferentes: o relatório mundial dá muito peso à renda e à nota que as pessoas dão à própria vida.

Os butaneses são realmente felizes?

Pela pesquisa nacional de 2022, pouco menos da metade da população se declara profundamente ou amplamente feliz, e o índice vem crescendo. O próprio Butão reconhece que ainda há desafios, como o desemprego entre os jovens.

Dá para viver a FIB como turista?

Sim. Ela aparece na natureza protegida, no turismo controlado, nas roupas e na arquitetura tradicionais, no ritmo da vida e na espiritualidade do dia a dia. No grupo de 2027, há inclusive uma conversa sobre a Felicidade Interna Bruta no roteiro.

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