Chiang Mai, no norte da Tailândia, é a cidade dos templos. São mais de 300 espalhados pela cidade e pelas montanhas ao redor, muitos deles com séculos de história e monges vivendo e estudando no dia a dia. É também uma das melhores portas de entrada para quem quer conhecer o budismo tailandês de perto: aqui é possível conversar com monges, fazer cursos de meditação e participar de festivais como o Yee Peng, o festival das lanternas.
Neste guia, reúno os lugares de que mais gostei em Chiang Mai, das experiências espirituais aos mercados noturnos, além de um bate-volta aos templos de Chiang Rai.
Se você está começando a planejar, veja também nosso guia completo de viagem para a Tailândia.
A cidade antiga e a muralha
O centro histórico de Chiang Mai, chamado de Old City, é um quadrado cercado por muralhas e por um fosso, construído quando a cidade foi fundada, no fim do século XIII. Os principais templos ficam ali dentro ou bem perto, e as antigas portas da muralha, como a Tha Phae, ainda marcam a entrada da cidade.
Uma boa forma de conhecer a cidade antiga é de bicicleta ou a pé, com calma, entrando nos templos que mais chamarem sua atenção. Hospedar-se dentro ou perto da cidade murada facilita muito esses passeios.
Templos de Chiang Mai
Os templos são o coração de qualquer viagem a Chiang Mai. Conhecer todos em poucos dias é impossível, mas alguns são imperdíveis. Seleciono aqui os que mais gostei.
Para visitar qualquer templo, use roupas que cubram ombros e joelhos e tire os sapatos antes de entrar nos salões de oração.
Wat Chedi Luang
Dentro da cidade antiga, o Wat Chedi Luang é um dos templos mais impressionantes de Chiang Mai. A construção do seu grande chedi (estupa) começou no fim do século XIV, e ele chegou a ser a construção mais alta do antigo reino de Lanna. Um terremoto no século XVI derrubou a parte de cima, e as ruínas que vemos hoje, imensas mesmo assim, guardam essa história. O templo também chegou a abrigar o Buda de Esmeralda, que hoje está em Bangkok.
O Wat Chedi Luang é um dos lugares onde acontece o “monk chat”: momentos em que monges conversam com visitantes sobre budismo e a vida no mosteiro. Tive a sorte de conversar com alguns deles, e foi um dos momentos mais especiais da viagem.


Wat Phra That Doi Suthep
O Wat Phra That Doi Suthep, conhecido simplesmente como Doi Suthep, é o templo mais famoso de Chiang Mai e um dos lugares mais sagrados do norte da Tailândia. Ele fica no alto da montanha de mesmo nome, e para chegar até ele sobe-se uma escadaria de mais de 300 degraus, ladeada por serpentes mitológicas (nagas). Para quem prefere, há também um funicular. Lá de cima, a vista de toda a cidade é incrível.
No centro do complexo fica uma grande estupa dourada, que brilha muito com o sol, cercada por pequenos santuários.

Para visitar o templo é preciso estar com ombros e joelhos cobertos. Você vai encontrar muitas estátuas do Buda espalhadas pelo local. É muito bonito!

Também há monges fazendo orações, e os fiéis costumam caminhar em volta da estupa, sempre no sentido horário, com flores e incenso nas mãos. Se quiser participar, faça o mesmo, com respeito e em silêncio.

Do lado de fora há um jardim imenso, com bancos e estrutura para descansar. É uma paisagem relaxante e muito bonita.

Na mesma montanha fica o Palácio Bhubing, residência de inverno da família real. Os jardins costumam ser abertos a visitantes, exceto quando a família real está hospedada.
A história do templo é uma das mais bonitas da Tailândia. Segundo a lenda, uma relíquia do Buda foi colocada no dorso de um elefante branco, que subiu a montanha sozinho. No ponto onde ele parou e morreu, o templo foi construído. Na cultura tailandesa, o elefante branco é um animal sagrado, ligado à realeza e à sorte.
Sem sombra de dúvidas, o Doi Suthep é imperdível em qualquer roteiro por Chiang Mai. Se puder, vá cedo pela manhã, antes dos grupos de turistas.
Wat Chiang Man
O Wat Chiang Man é o templo mais antigo de Chiang Mai, construído em 1296 pelo rei Mangrai, fundador da cidade. Ele guarda duas imagens do Buda muito veneradas, uma de pedra e outra de cristal, e um chedi sustentado por esculturas de elefantes. É um templo mais tranquilo que os outros e ótimo para uma pausa.

Wat Phra Singh
Também na cidade antiga, o Wat Phra Singh é um dos templos mais importantes de Chiang Mai e um belo exemplo da arquitetura do antigo reino de Lanna, com seus telhados em camadas e entalhes dourados. Abriga uma imagem do Buda muito venerada, levada em procissão pelas ruas durante o Songkran, o ano-novo tailandês, em abril.
Meditação e conversas com monges
Chiang Mai é um dos melhores lugares da Tailândia para quem quer ir além da visita aos templos e conhecer o budismo por dentro:
- Monk chat em Wat Suan Dok: o templo abriga uma universidade budista, e os monges estudantes recebem visitantes para conversar sobre budismo, meditação e a vida monástica. Também há conversas assim no Wat Chedi Luang.
- Wat Umong: um templo da floresta, nos arredores da cidade, com túneis antigos e trilhas silenciosas entre as árvores. É um lugar perfeito para meditar.
- Wat Ram Poeng: conhecido pelos cursos de meditação Vipassana de vários dias, para quem quer viver uma experiência de retiro.
Se quiser entender melhor como funciona um retiro, leia nosso guia sobre retiro budista.
Centro Cultural de Arte de Chiang Mai
Se você gosta de conhecer a história das cidades que visita, inclua o Centro Cultural no roteiro. O museu conta a história de Chiang Mai e do antigo reino de Lanna, com exposições sobre os povos da região e a arquitetura da cidade.
Na frente do prédio fica o Monumento dos Três Reis, em homenagem aos fundadores da cidade. Veja na foto que tirei ao visitar:

Mercados noturnos de Chiang Mai
O Night Bazaar é a feira noturna mais famosa da cidade, com roupas, artesanato, lembranças e artigos de decoração. Mesmo sem falar inglês é possível negociar: você aponta o que deseja, o vendedor coloca o valor na calculadora e você responde com a sua oferta, até chegarem a um acordo.
Nos fins de semana, vale muito conhecer os mercados de rua: o Sunday Walking Street, na avenida Ratchadamnoen, dentro da cidade antiga, e o Saturday Walking Street, na rua Wualai, famosa pelo artesanato em prata. Os mercados também têm ótimas comidas de rua e são uma forma deliciosa de conhecer a gastronomia do norte da Tailândia.
Assistir uma luta de Muay Thai
A Tailândia é o berço do Muay Thai, e assistir a uma luta é uma experiência interessante para quem gosta de artes marciais. Chiang Mai tem várias arenas, e uma das mais conhecidas é o Thapae Boxing Stadium.
Santuário de Elefantes
Na Tailândia há muitos locais clandestinos e ilegais que exploram elefantes para fins turísticos, utilizando de meios agressivos para domesticá-los.
Contudo, há também os santuários de elefantes.
Os santuários são ambientes em que os animais foram retirados dos maus tratos, condições precárias ou passeios ilegais. Lá eles vivem livres em um habitat semelhante ao seu natural.
A domesticação e interação com as pessoas é realizada de forma ética baseada em confiança, reforço positivo e recompensa (principalmente comida).
Não há correntes, instrumentos para machucar, algo do tipo. O que é possível ver são elefantes realmente muito bem tratados e pessoas apaixonadas por eles.
Um dos santuários mais famosos é o Elephant Nature Park que fica a 60 km de Chiang Mai.
Antes de escolher um santuário, confira se ele não oferece passeios montados nos elefantes nem shows. Um santuário de verdade deixa os animais livres e permite apenas observá-los, alimentá-los ou caminhar ao lado deles.
Descansar no Lago Huay Tung Tao
O Lago Huay Tung Tao é um reservatório de água artificial com locais para piquenique e descanso. É um ambiente tranquilo, muito bonito e que costuma ser visitado mais pelos locais do que turistas.
Vale a pena reservar um tempinho para conhecer e descansar no lago, principalmente se tiver uma boa companhia ou um livro.
Yee Peng e Loy Krathong: o festival das lanternas
O Yee Peng é um dos eventos mais esperados de Chiang Mai. Nas noites de lua cheia de novembro, as casas e os templos são decorados com lanternas, e milhares de lanternas de papel são soltas no céu. Acredita-se que elas levam embora as desgraças e os infortúnios, e cada pessoa faz um pedido no momento de soltá-las.
O festival acontece junto com o Loy Krathong, quando pequenas oferendas de folha de bananeira, flores e velas são colocadas para flutuar no rio Ping, como gesto de gratidão às águas.
Hoje a soltura de lanternas é regulamentada e se concentra em eventos autorizados, muitos deles com ingresso. A data muda todo ano por causa do calendário lunar, então confirme o dia antes de planejar e reserve a hospedagem com bastante antecedência, porque a cidade lota.
Bate-volta a Chiang Rai
A cerca de três horas de Chiang Mai fica Chiang Rai, com três templos muito diferentes de tudo o que você viu antes. Vale reservar um dia inteiro para eles.
Templo Branco (Wat Rong Khun)
O Templo Branco é obra do artista tailandês Chalermchai Kositpipat, que o constrói desde a década de 1990. Todo branco, com detalhes em espelhos, ele representa a pureza do Buda. A entrada é feita por uma ponte sobre um “mar” de mãos que se estendem do chão. Pode parecer um pouco assustador, mas o significado é bonito: as mãos representam o desejo e o sofrimento, e atravessar a ponte simboliza deixá-los para trás no caminho para a iluminação.

É um templo muito bonito, e a arquitetura é o que mais chama a atenção na visita.

Casa Negra (Baan Dam)
Conhecida como Black Temple, a Baan Dam não é um templo, e sim um museu criado pelo artista Thawan Duchanee, um dos mais importantes da Tailândia. São dezenas de construções escuras, com obras feitas de madeira, ossos e peles de animais. Os moradores costumam brincar que, se o Templo Branco é o céu, a Casa Negra é o inferno. Por ser menos conhecida, costuma ter menos movimento.

Templo Azul (Wat Rong Suea Ten)
O Templo Azul foi construído por um ex-aluno do criador do Templo Branco e é, talvez, o mais místico dos três, com paredes azuis e detalhes dourados. Seu nome, Wat Rong Suea Ten, significa “casa do tigre dançante”, porque a região era coberta de mata e frequentada por tigres.

Melhor época para visitar Chiang Mai
- Novembro a fevereiro: a melhor época, com clima seco e ameno. Novembro tem o Yee Peng.
- Fevereiro a abril: temporada de queimadas no norte da Tailândia. O ar costuma ficar carregado de fumaça, principalmente em março, o que pode incomodar quem tem problemas respiratórios.
- Março a maio: muito calor. Em abril acontece o Songkran, o ano-novo tailandês, celebrado com uma grande “guerra de água” nas ruas.
- Junho a outubro: estação das chuvas, com paisagens muito verdes e menos turistas.
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Perguntas frequentes
Quantos dias ficar em Chiang Mai?
De 3 a 4 dias são suficientes para os principais templos, o Doi Suthep e os mercados. Com 5 dias, dá para incluir um santuário de elefantes e o bate-volta a Chiang Rai.
Qual o templo mais importante de Chiang Mai?
O Wat Phra That Doi Suthep, no alto da montanha, é o mais famoso e um dos mais sagrados do norte da Tailândia. Na cidade antiga, os destaques são o Wat Chedi Luang, o Wat Phra Singh e o Wat Chiang Man.
É possível conversar com monges em Chiang Mai?
Sim. Templos como o Wat Suan Dok e o Wat Chedi Luang têm o “monk chat”, momentos em que monges conversam com visitantes sobre budismo e a vida monástica.
Quando acontece o festival das lanternas em Chiang Mai?
O Yee Peng acontece na lua cheia de novembro, junto com o Loy Krathong. A data muda todo ano, então confirme antes de planejar.
Vale a pena ir a Chiang Rai?
Sim. O Templo Branco, a Casa Negra e o Templo Azul ficam a cerca de três horas de Chiang Mai e podem ser visitados em um bate-volta de um dia.



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